“Eu me torno envolvida no vórtice que nasce dos seus olhos. Não há tragédia maior do que estar perdida em você, de submergir nas palavras doídas que insistem sair da sua boca. Há um gosto amargo se misturando à saliva. Pupilas dilatadas. Contração dos músculos. Veneno que fere a alma. Eu poderia, novamente, escrever sobre as suas constelações, suas curvas, seus abismos, infinitos e tudo aquilo que possa proferir desordem ou soar bonito, mas que por um triz não é, porque ninguém sabe, entende, capta ou lê o que fica nas entrelinhas, e como o poético, na verdade, pode virar uma perturbação constante, turbulências desenfreadas, sofreguidão exacerbada. O peito se contorce inteiro e o coração insiste transpassar a pele, enquanto eu, quase louca, grito para que ele consiga, que agonize em outro lugar, que chore os seus clichês nas esquinas, porque meu corpo lânguido já não sustenta. Não há paz para quem carrega um amor covarde. A tentativa é inútil de buscar, em mim, algo maior do que você. Até meus espaços são seus. Parei de fincar os pés no chão, mas não me adiantaria de nada ter a mente nas nuvens. Não é mais bonito…
Assisto um céu negro manchado de estrelas e isso me lembra você. Então, uma poesia estranha nasce no âmago, e eu me misturo devagar à poeira da terra, mas desejando ser astro, de estar fixa na sua retina, mesmo que isso vá de encontro e esbarre num ato áspero ao medo da gravidade. Enxergo um falso horizonte e passeio os dedos sobre a linha dele. É miragem ver caminho em algo incerto, sem fim. A utopia se faz quando tenho a sensação de poder agarrá-lo com as minhas mãos, desfazer os nós que a vida deu, de deixar o destino mais ameno. Mon étoile, eu sou tão pequena… Achava que era grande, mas quando descobri as gigantescas construções que o homem fez, o Universo, as dimensões e as distâncias, me senti tão minúscula. Não caibo nem na sua mão. São todos esses efeitos que causam a minha inquietação. A saudade é só mais uma consequência. Não me sinto eu mesma. Sou forasteira de mim. O que resta é a pronúncia rouca do seu nome despejando desgraças e a imagem turva do seu rosto, arte tangível que se rasteja à minha realidade. Mon étoile, olha só, continuo te chamando baixinho com os lábios trêmulos e encontrando fuga nas palavras.”
— Num ato falho de escapar das suas retinas e de sustentar o corpo.
(Laís C.)
“Você viveu na espera, esperando ser notável, você foi paciente, você foi até complacente, você abandonou os orgulhos. O tempo envelheceu seu corpo e colocou uma dose de juizo na sua mente, mas não foi o suficiente. Você continuou na espera, sem nenhuma razão que não fosse um simples amor incompleto. Você aceitou viver uma meia história. Abandonou seus caprichos e se amou um pouco menos. Você não perdeu a esperança, mesmo com a vida te empurrando pro fundo do poço e te mantendo acesa nas noites de insonia. Você nunca aceitou que a vida tem finais certos, para atitudes incertas, você esperou o legado. Você abandonou a paz por troca de equilíbrio, só você sabe que a verdade chegaria uma hora, e daria um tapa na sua cara. Você sempre soube que as pessoas preferem ficar perto de quem não precisa delas, mas você mostrou que precisava. Você sempre soube que meios amores não promevem histórias completas. Mas você continuou lá, todos em sua volta sabiam como acabaria, mas você continuou lá, no fundo você mesma sabia o fim trágico, mas você continuou lá. Continuou lá, por não acreditar que poderia ser feliz sem alguém que nunca reparou isso, continuou lá, chorando sozinha por não ter coragem de falar tudo, porque no fundo, sabia que era idiota.”
“(…) Eu precisava de alguém para estar ao meu lado quando ninguém pudesse estar. Alguém que olhasse e realmente me visse. Alguém sem cantos escuros, lugares distantes, alma vazia. Eu precisava de alguém sem pressa pra levantar, alguém que gostasse de sorrir, que brigasse e perdoasse sem precisar fingir. Alguém para andar na chuva, correr descalço… Alguém para dividir as moedas, usar o mesmo casaco. Alguém para esperar, para sentar do outro lado da mesa, para bagunçar a gaveta. Eu precisava de alguém que precisasse de mim, que criasse metáforas com os meus olhos, que dissesse que adora me ver sorrir. Alguém que abaixasse os olhos com qualquer elogio, que me emudecesse com qualquer prece. Eu precisava de alguém que aceitasse minha mão, meu abraço, alguém que precisasse chegar logo onde eu estou, que se incomodasse com a minha demora. Eu precisava de alguém que mesmo sabendo quem eu sou, aprendesse a buscar todo dia um jeito novo de se doar. Alguém que transforma tristeza em beleza, que decora a vida com momentos inesquecíveis. Eu precisava de alguém que vale a pena precisar.”
“E eu, no fundo, te perdoava, te entendia, te amava cada vez mais. Você me mandou embora da sua casa, do seu carro, da sua vida, da memória do seu computador, do celular e do coração. Você me deletou. E eu fiquei quietinha, te esperando, rezando pra você ver que amor maior não tem.”
“Às vezes me bate uma vontade de te esquecer. Aí invento de sair com os amigos e esbarro com uma pessoa que tem o mesmo cheiro que o seu. Invento de ler um livro qualquer, mas os personagens principais se parecem com nós dois. Principalmente nas brigas. Ligo uma música no aleatório e adivinha? A nossa música começa a tocar. Passo de música e a próxima diz “You told me you loved me, so why did you go away?” Me irrito e ligo a TV em um canal de filme, aí tá lá passando aqueles típicos romances de Nicholas Sparks. Coloco em um canal de seriado, e dois dos personagens estão se beijando. Desligo a TV e ligo a rádio, mas as propagandas ridículas me lembra o quanto você é ridículo. Aí desisto e resolvo não fazer mais nada. Mas não fazer nada só me lembra a falta que você me faz.”
“E se de repente
A gente não sentisse a dor
Que a gente finge e sente?”
“Depois de um tempo eu ouvi certo poeta dizer que amar é desejar a felicidade do outro mesmo que isso custe sua própria felicidade. E foi graças a esse pequeno trecho que eu sempre deixei as pessoas que eu amo livres para decidirem fazer o que elas quisesses, mesmo que me deixassem triste algumas atitudes… O sorriso daqueles que eu amei era o que tinha de mais precioso pra mim. Se eles queriam fazer algo e ficavam bem com aquilo, eu não teria motivo para reclamar ou pedir para não o fazerem. Pois eles estavam felizes… Mas depois de outro tempo eu percebi que as pessoas não faziam o mesmo por mim. Certamente, elas não conheciam esse ditado. E foi desse jeito que todos que eu amava e queria feliz, me deixaram… Mas eu não corri atrás porque eles estavam felizes assim…”
—
E como o poeta disse: Amar é desejar a felicidade do outro mesmo que isso custe a sua felicidade. (via
licenciador)
“Benditos os que conseguem se deixar em paz. Os que não se cobram por não terem cumprido suas resoluções, que não se culpam por terem falhado, não se torturam por terem sido contraditórios, não se punem por não terem sido perfeitos. Apenas fazem o melhor que podem.”
“Não sei se é pra te esquecer que eu tenho bebido tanto. Pra lembrar eu tenho certeza que não é.”
“Eu tento tanto te fazer feliz, mas acontece que eu sou desastrada.”